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Crianças e adolescentes do Projeto Jardim Margarida participam da Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente

Foto do escritor: SMF Focolari
SMF Focolari
há 8 horas
5 min de leitura

No dia 9 de setembro, 19 crianças e adolescentes do Projeto Jardim Margarida participaram da Conferência Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Vargem Grande Paulista, realizada no Seminário Teológico do município. Mais do que acompanhar a programação, os participantes chegaram ao encontro preparados para falar, propor, questionar e contribuir com as discussões sobre os direitos de crianças e adolescentes.

A participação começou antes mesmo da conferência. No Projeto Jardim Margarida, as crianças participaram de oficinas, rodas de conversa e momentos de reflexão sobre o Eixo 3, dedicado à promoção da convivência familiar e comunitária. A partir dessas atividades, construíram cartazes e levantaram propostas que posteriormente foram apresentadas e discutidas durante a conferência.


Na manhã do dia 9, o grupo saiu cedo do Projeto Jardim Margarida de ônibus em direção ao Seminário Teológico, acompanhado pela equipe do Projeto JM. Após a chegada e um café da manhã preparado para receber os participantes, todos se dirigiram ao espaço onde aconteceria a abertura oficial. Encontraram outras crianças e adolescentes da Rede Municipal e Estadual, compondo um grupo de 100 crianças e adolescentes de toda cidade.


Um momento marcante para o grupo foi ver o adolescente Felipe Pontes, atendido pelo Projeto Jardim Margarida, compondo a mesa de autoridades como representante das crianças e adolescentes do município. Felipe também teve a oportunidade de fazer uso da palavra e dar as boas-vindas aos participantes, marcando desde o início a presença ativa das crianças naquele espaço de participação social.


Crianças que conhecem seus direitos e aprendem a participar


A programação seguiu com a palestra de Anna Luiza Calixto, cientista social, especialista e fundadora do projeto Bem me quer, que atua especialmente na prevenção do abuso sexual e na promoção dos direitos de crianças e adolescentes.


Ana Luiza apresentou de maneira acessível e  lúdica o significado de uma conferência, explicou por que esses espaços são importantes e falou sobre os temas que seriam debatidos ao longo do dia. Também compartilhou sua própria trajetória: quando criança, ela mesma participou de conferências municipais, estaduais e nacionais e, a partir dessas experiências, descobriu seu interesse pela área dos direitos da infância e adolescência.


Ao final da palestra, as crianças puderam fazer perguntas livremente. E elas aproveitaram a oportunidade. Surgiram questões dos mais diferentes tipos, mostrando que, quando encontram um espaço seguro para falar, crianças e adolescentes têm muito a dizer. O momento também revelou a curiosidade dos participantes e o desejo de compreender melhor os seus direitos e o funcionamento dos espaços de participação.


A programação contou ainda com apresentações culturais realizadas por crianças e adolescentes do município. Entre elas, esteve o coral do Projeto Educarte, que, assim como o Jardim Margarida, desenvolve ações de convivência e fortalecimento de vínculos. A apresentação foi muito celebrada pelos participantes.


Propostas construídas pelas próprias crianças


Depois do almoço, com direito a picolé na sobremesa, chegou o momento mais esperado: o retorno aos grupos de trabalho. O grupo do Eixo 3 – Promoção da convivência familiar e comunitária reuniu crianças e adolescentes do Projeto Jardim Margarida e do Projeto Educarte. Eles chegaram preparados para a discussão, levando consigo as reflexões e propostas construídas anteriormente em seus respectivos projetos.

O eixo foi conduzido pelas assistentes sociais Graciele Feitosa e Nanci Cabral, com a supervisora da educação Carolina Piva. Falou-se muito sobre a família, os diversos tipos de família,  importância do cuidado familiar para o pleno desenvolvimento de crianças e adolescentes e situações que desafiam o cuidado, levando algumas vezes ao rompimento dos vínculos e necessidade do acolhimento institucional. O grupo discutiu sobre a importância do trabalho desenvolvido nos centros sociais como rede de apoio para as famílias e como esta política pública é fundamental.


A participação foi intensa e revelou uma percepção bastante clara sobre a importância dos espaços de convivência. Uma das propostas que surgiu de forma unânime entre os participantes dos dois projetos foi a necessidade de ampliar a oferta de projetos sociais no município, para que mais crianças e adolescentes possam ter acesso a espaços de contraturno onde encontrem oportunidades de desenvolvimento e convivência.


Para as crianças que já participam desses espaços, existe também o reconhecimento de que essa experiência representa uma oportunidade importante em suas vidas: estar em um ambiente seguro, conviver com outras crianças, aprender coisas novas, desenvolver talentos e contar com adultos de referência.


Outro tema levantado foi a prevenção ao uso de drogas e aos diferentes tipos de dependência, reforçando a importância de ações preventivas e de espaços que ofereçam alternativas saudáveis de convivência e desenvolvimento.


Da participação à representação


Depois dos grupos de trabalho, todos retornaram ao salão principal para acompanhar a apresentação das propostas de cada eixo. A programação também contou com um show de rock apresentado por alunos da Escola Municipal de Cultura, que recebeu muitos aplausos das crianças e adolescentes.


Ao final, aconteceu a votação dos delegados que representarão o município nas próximas etapas das conferências dos direitos da criança e do adolescente.E o Projeto Jardim Margarida teve uma participação ainda mais especial: dois de seus atendidos foram escolhidos como representantes — Felipe Pontes e Miguel Felipe.


Para a equipe do Projeto, vê-los assumindo esse papel representa uma conquista significativa. Eles chegaram à conferência para participar das discussões e saíram dela também com a responsabilidade de representar outras crianças e adolescentes.


A experiência reforça algo que o trabalho cotidiano do Projeto Jardim Margarida busca construir: quando crianças e adolescentes são ouvidos, orientados e encontram espaços seguros de participação, eles não apenas aprendem sobre seus direitos — eles aprendem que suas ideias podem contribuir para transformar a realidade em que vivem. E talvez seja justamente essa uma das maiores riquezas da experiência: perceber que, para as crianças, participar não é apenas estar presente. É poder perguntar. É discordar. É propor. É ser ouvido. É descobrir que sua voz tem lugar.


Ao retornarem ao Projeto Jardim Margarida, as crianças também foram convidadas a avaliar a experiência e contar o que a participação na conferência significou para elas. Alguns desses depoimentos serão compartilhados a seguir.


"Foi muito legal. Muito boa a comida, gostei muito, eles foram muito legais. Eu adorei muito e gostei de ir para entender mais sobre o ECA" (L.S.V, 12 anos)


"Foi muito bom, quero ir mais vezes. Foi uma coisa mágica. Só tenho a agradecer. " (S.T., 12 anos)


"Eu gostei muito de tudo e eu tive um conhecimento maior sobre os direitos que as crianças tem; conheci um pouco mais sobre o bullying; gostei das pessoas, do lugar e quero ir mais vezes para conhecer coisas novas." (H.S.B., 12 anos)


Também alguns depoimentos da equipe do Projeto JM que esteve acompanhando nosso grupo:


Participar da Conferência do CMDCA como educador foi uma experiência muito importante e enriquecedora. Foi uma oportunidade de ampliar conhecimentos, ouvir diferentes perspectivas e contribuir de alguma forma   sobre os direitos e a proteção das crianças e adolescentes. (Leonardo Andrade, Educador Social) 


Ao longo da minha trajetória profissional, já tive a oportunidade de participar de outras Conferências Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e, a cada experiência, fico feliz em perceber o quanto momentos como esse são importantes para fortalecer a participação social.

Mais do que um espaço de discussão, a Conferência possibilita dar voz às crianças e aos adolescentes, permitindo que expressem suas opiniões, sentimentos e propostas, muitas vezes por meio de falas simples, mas que refletem diretamente a realidade vivenciada por eles. É muito significativo e emocionante ver crianças e adolescentes ocupando esses espaços, exercendo sua cidadania e assumindo o protagonismo na construção de propostas relacionadas aos seus próprios direitos.

A participação na Conferência também proporciona a ampliação de conhecimentos e o fortalecimento da compreensão sobre os direitos fundamentais de crianças e adolescentes, contribuindo para que reconheçam a importância de sua participação na sociedade. A Conferência é um espaço de diálogo e reflexão sobre as situações e os problemas identificados no município, possibilitando a construção coletiva de propostas e estratégias para enfrentá-lo. (Vânia Rodrigues, Assistente Social)



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